A origem
O emprego que virou carreira
Começou com uma mãe desempregada procurando trabalho. A filha mais nova tinha menos de quatro meses e ficava no berçário enquanto a mãe fazia entrevistas. Uma delas era numa indústria que fabricava telas para peneiramento. Deu certo — e aquele emprego durou cerca de quinze anos.
Nesse período ela subiu de posição até a gerência, aprendendo o negócio de dentro: tela, fio, malha, tensionamento, cliente que reclama, cliente que volta. Depois vieram anos em uma segunda fabricante de telas, também como gerente, e uma terceira operação. No total, mais de duas décadas dentro do setor antes de 2018.
A falência e a equipe na rua
A primeira empresa entrou em dificuldade financeira e faliu. Da noite para o dia, chão de fábrica, escritório e administrativo ficaram desempregados — inclusive ela. Foi um daqueles momentos em que uma trajetória de quinze anos parece ter virado nada.
Havia, porém, um detalhe: durante todos aqueles anos, um empresário do mesmo ramo insistia em convidá-la para trabalhar junto. Mandou bilhete, mandou número de telefone, pediu para ligar. Ela nunca retornou. Depois da falência, foi o marido quem disse: procura aquele rapaz que tanto te chamava.
Uma fábrica que ia fechar e não fechou
Ela foi. A empresa dele era pequena e estava perto de encerrar as atividades — mas tinha matéria-prima em estoque, teares e maquinário parados. Faltava estrutura comercial e faltava equipe.
As duas coisas ela tinha. Alugaram um galpão. A equipe foram os mesmos funcionários que haviam ficado desempregados com a falência. A carteira de clientes ela levou. A empresa não fechou: reabriu com outro nome e cresceu. Ela entrou como gerente — não como sócia, e isso vale registrar com honestidade, porque a estrutura comercial que fez aquilo funcionar foi dela.
A dívida que virou uma empresa
Anos depois, aquele mesmo empresário — que havia deixado o negócio — foi até a casa dela com uma proposta. Ele sentia que devia algo: ela tinha ajudado a construir a empresa dele inteira. A proposta era montar uma empresa para ela.
Foi o que aconteceu. Ela saiu da gerência, montaram a operação com um único funcionário e um escritório improvisado no fundo de um galpão emprestado. Quando as coisas já estavam de pé, ele se afastou. Disse que o que queria já tinha conseguido: montar uma empresa para ela. Não quis nada em troca. Essa gratidão é parte do que a Líder Peças é.
14 de novembro de 2018
Nessa data nasceu a Líder Peças, com dois sócios: ela e o marido, que já trabalhava com obras. Primeiro veio um escritório alugado numa casa, com as peças ainda guardadas em galpão de terceiro. Depois o volume cresceu e foi preciso um galpão próprio — o que ocupamos hoje, no Jardim Piemonte.
Veio a primeira empilhadeira, a reforma completa do galpão, a estruturação do estoque e a chegada dos funcionários. Hoje somos oito pessoas, quatro delas no comercial, atendendo mineração, agregados e siderurgia em quatro linhas de produto.
A fabricação de telas é própria, na fábrica de Esmeraldas/MG. Quem especifica a malha e quem produz está no mesmo grupo — o cliente não atravessa revenda para chegar na fábrica. As outras linhas — fundidos, reposição e componentes de desgaste — completam o circuito da planta.