Pular para o conteúdo

Telas para Peneiramento

Tela de aço, borracha ou poliuretano: qual escolher

A conta que a maioria das operações faz é o preço da tela. A conta que importa é o custo por tonelada peneirada — e ela inclui a tela, a mão de obra da troca e, principalmente, a produção perdida durante a parada. Quando esses três entram na planilha, a resposta muda com frequência. Mas não sempre: existem casos claros em que a tela de aço continua sendo a escolha certa.

Os três materiais em uma frase cada

  • Aço: maior área livre de passagem, menor custo por peça, menor vida útil.
  • Poliuretano: vida útil muito maior em material abrasivo, área livre menor, custo por peça bem mais alto.
  • Borracha: melhor absorção de impacto de blocos grandes, boa vida útil, menos ruído, área livre menor.

Área livre: o que você perde ao sair do aço

Área livre é o percentual da superfície da tela ocupado pelas aberturas. Ela determina diretamente a capacidade de passagem do deck.

Tela de aço trabalha com fios finos e entrega a maior área livre entre as três opções. Telas de poliuretano e borracha precisam de seções mais robustas para sustentar a estrutura, o que reduz a área livre para a mesma abertura nominal.

A consequência prática: ao trocar aço por poliuretano mantendo a mesma abertura, a capacidade do deck cai. Se o seu circuito já opera no limite, essa perda pode ser mais cara que o ganho de vida útil. É o fator mais frequentemente ignorado nessa decisão.

Vida útil: onde o poliuretano ganha de longe

Em material abrasivo, a diferença de durabilidade entre poliuretano e aço é grande — frequentemente de várias vezes. O mecanismo é o que se chama de resiliência: o poliuretano deforma elasticamente sob o impacto da partícula e volta, dissipando a energia sem arrancar material. O aço, mais rígido, sofre desgaste abrasivo direto.

A borracha compartilha esse comportamento e leva vantagem específica em impacto de blocos maiores, onde a massa e a espessura ajudam a absorver a energia.

Não damos multiplicadores aqui de propósito: o ganho real varia demais com abrasividade, umidade e carga sobre o deck. Quem promete "cinco vezes mais" sem conhecer a sua operação está estimando.

Quando cada uma ganha

Tela de aço

  • Peneiramento grosseiro, onde o corte importa mais que a durabilidade
  • Material pouco abrasivo, como boa parte das aplicações de calcário
  • Circuito que opera no limite de capacidade e não pode perder área livre
  • Operações com restrição de capital de giro — o custo de entrada é menor
  • Aberturas muito finas, onde as opções sintéticas ficam limitadas

Poliuretano

  • Material abrasivo — granito, quartzito, minério de ferro
  • Material úmido, em que a menor aderência ajuda
  • Operações em que a parada para troca é cara ou difícil de programar
  • Decks com histórico de troca muito frequente

Borracha

  • Impacto de blocos grandes, especialmente no deck superior
  • Operações com restrição de ruído
  • Material abrasivo com granulometria grosseira

A conta que decide

Para comparar honestamente, junte três números por opção:

  1. Custo do jogo de telas do deck inteiro, não de uma peça.
  2. Toneladas processadas por jogo — se você não tem esse dado, ele é mais importante que a própria decisão de material.
  3. Custo de cada troca: horas de parada multiplicadas pelo valor da hora de produção, mais mão de obra.

Custo por tonelada = (custo do jogo + custo da troca) ÷ toneladas por jogo. Compare esse número entre as opções e a decisão deixa de ser opinião.

Se, ao fazer a conta, a diferença for pequena, fique com o aço: menor capital imobilizado e maior flexibilidade para mudar de abertura conforme o mercado do produto.

Um erro comum: trocar o material sem investigar a falha

Antes de migrar de aço para poliuretano por causa de vida útil curta, vale confirmar que o problema é mesmo o material. Ruptura precoce costuma ter causa mecânica:

  • Tensionamento insuficiente — a tela vibra fora de fase com o deck e fadiga rápido
  • Apoio de deck gasto ou desalinhado, criando ponto de esforço concentrado
  • Chute de alimentação despejando material sempre no mesmo ponto
  • Blocos acima do que a tela foi dimensionada para receber

O indício mais revelador é o padrão: se a ruptura acontece sempre na mesma região da tela, a causa é mecânica. Nesse caso, trocar para um material mais caro só aumenta o custo do mesmo problema.

A solução híbrida que costuma passar despercebida

Não é obrigatório escolher um material para o deck inteiro. Uma configuração comum e eficiente é usar borracha ou poliuretano na região de alimentação, onde o impacto e o desgaste se concentram, e aço no restante do deck, onde a área livre importa mais.

Essa combinação costuma entregar boa parte do ganho de durabilidade sem sacrificar capacidade — e sem o investimento de um deck completo em material sintético.

Continue lendo

Outros artigos sobre telas para peneiramento

Precisa cotar peça para a sua operação?

Mande a lista, o desenho ou uma foto da peça desgastada. A cotação volta com material e prazo.

Solicitar cotação